quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

FICHAMENTO: A História Social das disciplinas escolares





“O currículo escolar é um artefacto social, concebido para realizar determinados objectivos humanos específicos.” (p. 17)

“... o currículo escrito – manisfestação extrema de construções sociais – tem sido tratado como um dado.” (p. 17)

“Além destas respostas individualistas, há também reacções coletivas em relação ao currículo e, quando os padrões são explicitados, percebe-se que o currículo escolar está longe de ser um factor neutro.” (p. 17)

“Pouco se tem feito para estudar em profundidade a história social do currículo.” (p. 17)

“Quando se aceita que o currículo é uma fonte essencial para o estudo histórico, surgem uma série de novos problemas, pois o 'currículo' é um conceito ilusório e multifacetado.” (p. 17)

“Por outro lado, o campo difere substancialmente em função das estruturas e padrões locais ou nacionais. É por isso que se torna tão problemático determinar as bases em que assenta o nosso trabalho.” (p. 18)

“O aparecimento de um campo de estudos sobre o currículo como construção social constituiu uma realidade nova e de grande significado.” (p. 18)    

“Em primeiro lugar, ... a educação devia ser reformada, ‘revolucionada’, de que os 'mapas da aprendizagem deviam ser desenhados de novo'. Em segundo lugar...  de grande intensidade dos movimentos de reforma curricular, que procuravam ‘revolucionar os currículos escolares.’” (p. 18)   

“No novo horizonte destaca-se, mais do que nunca, a disciplina escolar, sobretudo as disciplinas ‘básicas’ ou ‘tradicionais’.” (p. 18)

Em Inglaterra, por exemplo, o novo Currículo Nacional define uma gama de disciplinas a serem ensinadas como currículo ‘nuclear’ em todas as escolas. (p. 18)  

“... conceptualização do currículo como fonte de estudo, não obstante a dificuldade da sua definição, mesmo nos tempos actuais que lhe conferem uma nova centralidade, no quadro de um regresso às ‘aprendizagens básicas’.” (p. 19)

“O ‘terreno elevado’ do currículo escrito está sujeito a renegociação a níveis inferiores, nomeadamente na sala de aula. Mas considerá-lo irrelevante, como nos anos sessenta, não faz qualquer sentido.” (p. 19)

“No ‘terreno elevado’ o que é básico e tradicional é reconstituído e reinventado.” (p. 20)

“Num sentido significativo, o currículo escrito é o testemunho público e visível das racionalidades escolhidas e da retórica legitimadora das práticas escolares.” (p. 20)

“O currículo escrito define as racionalidades e a retórica da disciplina, constituindo o único aspecto tangível de uma padronização de recursos (financeiros, avaliativos, materiais), etc.” (p. 20)

“Em suma, o currículo escrito proporciona-nos um testemunho, uma fonte documental, um mapa variável do terreno: é também um dos melhores roteiros oficiais para a estrutura institucionalizada da educação.” (p. 20)

“Quanto ao ensino, e ao currículo em particular, as questões centrais são Quem fica com o quê? e O que é que eles fazem com isso?” (p. 20)

“Que o currículo escrito fixa frequentemente parâmetros importantes para a prática da sala de aula (nem sempre, nem em todas as ocasiões, nem em todas as salas de aula, mas frequentemente).” (p. 20)

“No entanto, nos anos sessenta, surgiu, por parte dos sociólogos e muito em especial dos sociólogos do conhecimento, um novo ímpeto face à investigação das disciplinas escolares.” (p. 21)

“Young ... afirma que o trabalho histórico deveria ser um ingrediente essencial do estudo do conhecimento escolar.” (p. 23)

“Quando estamos limitados na nossa compreensão histórica dos problemas contemporâneos da educação, estamos também limitados quanto à compreensão das questões da política e do controlo. Por isso, Young conclui que: 'Uma forma crucial de reformular e transcender os limites em que trabalhamos é ver... como esses limites não estão predefinidos, mas são, sim, produzidos através das acções e interesses conflituais dos homens na história.' (p. 23 - 24)

“Reexame do papel dos métodos históricos no estudo do currículo e pela articulação de um modo de estudo que estimule a nossa compreensão relativamente à história social do currículo escolar e às disciplinas escolares em particular.” (p. 24)


Referência: GOODSON, I. F. A Construção Social do Currículo. ‘Tradução de Maria João Carvalho’. EDUCA: Faculdade de Psicologia de Ciências da Educação, Universidade de Lisboa, 1997.




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