“O
currículo escolar é um artefacto social, concebido para realizar determinados
objectivos humanos específicos.” (p. 17)
“...
o currículo escrito – manisfestação extrema de construções sociais – tem sido
tratado como um dado.” (p. 17)
“Além
destas respostas individualistas, há também reacções coletivas em relação ao
currículo e, quando os padrões são explicitados, percebe-se que o currículo
escolar está longe de ser um factor neutro.” (p. 17)
“Pouco
se tem feito para estudar em profundidade a história social do currículo.” (p.
17)
“Quando
se aceita que o currículo é uma fonte essencial para o estudo histórico, surgem
uma série de novos problemas, pois o 'currículo' é um conceito ilusório e
multifacetado.” (p. 17)
“Por
outro lado, o campo difere substancialmente em função das estruturas e padrões
locais ou nacionais. É por isso que se torna tão problemático determinar as
bases em que assenta o nosso trabalho.” (p. 18)
“O
aparecimento de um campo de estudos sobre o currículo como
construção social constituiu uma realidade nova e de grande
significado.” (p. 18)
“Em
primeiro lugar, ... a educação devia ser reformada, ‘revolucionada’, de que os
'mapas da aprendizagem deviam ser desenhados de novo'. Em segundo lugar... de
grande intensidade dos movimentos de reforma curricular, que procuravam
‘revolucionar os currículos escolares.’” (p. 18)
“No
novo horizonte destaca-se, mais do que nunca, a disciplina escolar,
sobretudo as disciplinas ‘básicas’ ou ‘tradicionais’.” (p. 18)
Em
Inglaterra, por exemplo, o novo Currículo Nacional define uma gama de
disciplinas a serem ensinadas como currículo ‘nuclear’ em todas as escolas. (p.
18)
“...
conceptualização do currículo como fonte de estudo, não obstante a dificuldade
da sua definição, mesmo nos tempos actuais que lhe conferem uma nova
centralidade, no quadro de um regresso às ‘aprendizagens básicas’.” (p. 19)
“O
‘terreno elevado’ do currículo escrito está sujeito a renegociação a níveis
inferiores, nomeadamente na sala de aula. Mas considerá-lo irrelevante, como
nos anos sessenta, não faz qualquer sentido.” (p. 19)
“No
‘terreno elevado’ o que é básico e tradicional é
reconstituído e reinventado.” (p. 20)
“Num
sentido significativo, o currículo escrito é o testemunho público e visível das
racionalidades escolhidas e da retórica legitimadora das práticas escolares.”
(p. 20)
“O
currículo escrito define as racionalidades e a retórica da disciplina,
constituindo o único aspecto tangível de uma padronização de recursos
(financeiros, avaliativos, materiais), etc.” (p. 20)
“Em
suma, o currículo escrito proporciona-nos um testemunho, uma fonte documental,
um mapa variável do terreno: é também um dos melhores roteiros oficiais para a
estrutura institucionalizada da educação.” (p. 20)
“Quanto
ao ensino, e ao currículo em particular, as questões centrais são Quem fica com o quê? e O que é que eles
fazem com isso?” (p. 20)
“Que
o currículo escrito fixa frequentemente parâmetros importantes para a prática
da sala de aula (nem sempre, nem em todas as ocasiões, nem em todas as salas de
aula, mas frequentemente).” (p. 20)
“No
entanto, nos anos sessenta, surgiu, por parte dos sociólogos e muito em
especial dos sociólogos do conhecimento, um novo ímpeto face à investigação das
disciplinas escolares.” (p. 21)
“Young
... afirma que o trabalho histórico deveria ser um ingrediente essencial do
estudo do conhecimento escolar.” (p. 23)
“Quando
estamos limitados na nossa compreensão histórica dos problemas contemporâneos
da educação, estamos também limitados quanto à compreensão das questões da
política e do controlo. Por isso, Young conclui que: 'Uma forma crucial de
reformular e transcender os limites em que trabalhamos é ver... como esses
limites não estão predefinidos, mas são, sim, produzidos através das acções e
interesses conflituais dos homens na história.' (p. 23 - 24)
“Reexame
do papel dos métodos históricos no estudo do currículo e pela articulação de um
modo de estudo que estimule a nossa compreensão relativamente à história social
do currículo escolar e às disciplinas escolares em particular.” (p. 24)
Referência: GOODSON,
I. F. A
Construção Social do Currículo. ‘Tradução de Maria João Carvalho’.
EDUCA: Faculdade de Psicologia de Ciências da Educação, Universidade de Lisboa,
1997.
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